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Depoimentos de ex-alunos

Recordações

Corria o ano de 1958, quando fiz o exame da quarta classe. Pela primeira vez entrei na escola Brotero, ali ao pé do Mercado D. Pedro V, para fazer o exame de Admissão: os aprovados seguiriam para o Liceu ou para a Escola Técnica.

A mim foi-me destinada a Escola Industrial e Comercial Avelar Brotero, sita no Calhabé.

Era novinha em folha! Tinha sido inaugurada naquele Verão e, uma escola tão grande perante os meus dez anos, deixava-me perdido. Era novidade a mais!

Começado o ano lectivo 1958/59, em Outubro, as coisas começaram a complicar-se. Nunca gostei – nem sequer cheguei a frequentar – a disciplina de Mocidade Portuguesa que era ministrada aos sábados, de tarde, pelo que o meu pai, contrário ao regime da época, foi chamado à escola por várias vezes para ser informado de que, a continuar assim, eu reprovaria o ano.

E assim aconteceu!

No ano seguinte, fui novamente matriculado, mas infelizmente a situação económica de um operário da indústria modeladora não se compadecia com os gastos ‘adicionais’ de um filho na escola e eu fui forçado a abandoná-la. Com doze anos apenas, entrei no mercado do trabalho, sempre com a convicção de que mais tarde, quando as finanças familiares se compusessem, iria estudar e tentar tirar um curso.

O desejo de voltar à escola era tanto que, no ano 1962/63, já com catorze anos feitos, ingressei num curso nocturno, para tentar levar em frente aquilo a que me tinha proposto. Foram anos de sacrifício! Deixava o trabalho às seis da tarde e tinha aulas das sete às onze horas da noite, jantando apenas depois de chegar a casa.

Os anos foram passando, desta vez com aproveitamento. Hoje recordo com saudade os bons momentos daquelas noitadas em conjunto com os colegas de turma quando decidíamos “fazer gazeta” e extravasar a nossa alegre juventude!

Mas estava escrito que, mais uma vez, abandonaria a escola sem concluir o Curso Comercial! Faltavam quatro disciplinas para terminar…

Em Janeiro de 1969 alistei-me como voluntário na Força Aérea Portuguesa. Fui mobilizado para Moçambique, de onde regressei em 1972.

Hoje, passados tantos anos, sinto-me um homem, um pai e um avô feliz e agradecido à Escola Avelar Brotero por tudo quanto aprendi. Afinal, com ou sem curso completo, foi ela que me transformou no que hoje sou.

Bem-hajas, Escola Brotero, por tudo quanto me ensinaste!

Victor Rasteiro

Recolha da responsabilidade das professoras Graça Alves (actual professora da escola) e Celeste Raimundo (professora aposentada).

Depoimentos de ex-alunos

Estávamos em 1961. Para quem tinha nascido em 1950 e se tinha portado bem na escola primária, o ano de 1961 seria o da quarta classe. Era esse o meu caso.
A minha mãe – empregada fabril (Cerâmica) – e o meu pai – motorista da Câmara Municipal de Coimbra –, ganhavam muito mal e tinham tido seis filhos; duas meninas morreram; ficámos três rapazes e uma menina, sendo eu o mais velho. Antes de acabar a quarta classe, o meu pai lera-me a sina:

– Carlitos, tens bom corpinho; vais para as obras, a fim de ajudares a criar os teus irmãos. Mais adiante aprendes uma profissão e vais estudar de noite.
Como era bem comportado e até já tinha feito a catequese, o meu avô – que tinha sido polícia e trocou essa pela profissão de carpinteiro –, e dois dos meus tios, prontificaram-se a ajudar e pediram ao meu pai que me deixasse continuar a estudar, pois, segundo eles, “era uma pena perder-se a inteligência que eu tinha”.

Pressionado, o meu pai cedeu.

Como o exame de admissão exigia conhecimentos superiores aos da quarta classe, tivemos de arranjar um explicador. Consegui, através de colegas, o professor Rogério que morava no bairro Marechal Carmona, agora Norton de Matos, junto ao chamado Cavalo Selvagem, presentemente bairro da Caixa de Previdência.
O professor Rogério levava cento e cinquenta escudos por cada explicação, mas, atendendo ao meu caso, levava-me cem escudos. Logo que cheguei a casa e dei conhecimento do preço ao meu pai, ele começou a ficar pálido e foi-me dizendo: Carlitos, como posso eu arranjar os cem escudos se só recebo quarenta do teu abono?! Deixa-me pensar.

Não sei que engenharias financeiras usou; só sei que se resolveu o problema. Fiz o exame de admissão, passei e entrei para o meu grande sonho: a Escola de Avelar Brotero, onde fiz o ciclo preparatório sem chumbar.
Durante a frequência deste ciclo de estudos, fomos pensando no curso que o Carlitos iria tirar, e aqui, a família foi unânime: nos meus tempos livres teria de ajudar a família nas várias tarefas e, no Inverno, subia aos pinheiros para colher as pinhas que depois eram utilizadas para atear a lareira. Como desempenhava aquela tarefa com toda a perfeição, o Carlitos iria ser electricista, pois, “se ele sobe aos pinheiros com toda a facilidade, o mesmo será subir aos postes”. E lá fui eu tirar o curso industrial de montador electricista.
Foram três anos inesquecíveis! Tudo o que me ensinavam era novidade! E lá fui andando sem perder anos, pois eu sabia que, se chumbasse, me esperava dar serventia a pedreiros.
Para ultrapassar as dificuldades económicas, o meu pai arranjava-me trabalho pelas férias grandes e no campo da electricidade, onde eu, orgulhosamente, já ia pondo os meus conhecimentos à prova. Mas era muito aborrecido para mim pois, enquanto os meus colegas iam para a praia de mar – ou de rio, ali perto de minha casa, na Portela –, eu levantava-me pelas seis da manhã a caminho do centro da cidade, o que era um grande esticão! Outro problema residia no facto de ter de levar a lancheira com o almoço e comê-lo frio.
Houve um ano em que fui trabalhar para a Rua da Louça, numa casa que consertava rádios; o dono chamava-se Silva e tinha sido sargento no exército. Quando terminei os três meses e me preparava para trazer uma grande “féria”, eis que o Sr. Silva me deseja felicidades e… nem “cheta”! Muito zangado fiquei! E então o meu pai?! Pior ficou, pois estava à espera daquele dinheirito para tapar uns “buracos” e,…nada!

Mas tudo passou e havia que olhar em frente.
Do meu curso, lembro bons mestres: o engenheiro Cabral, engenheiro Fontes, Maria do Céu Fontes, engenheiro Amândio, engenheiro Balhau, Pinheiro, Proença, Curado, doutor Antero,( o chamado cabeça de andorinha) e mestres de oficinas: Deolindo, Costa, Paulino, Valério, Eliseu, Lobo e o grande mestre Ferreira das oficinas de electricidade que sabia tudo! Chamávamos-lhe “o calcinhas”, pois, enquanto nós usávamos calças muito apertadas, ele usava-as demasiado largas. E outras e outros de que já não lembro o nome!… Mas há um senhor doutor que me ficou na memória pelo melhor motivo. Dava-nos Organização Política e Constitucional da Nação. Chamava-se Ribeiro Coelho, era gordo e adormecia nas aulas. Se não estou em erro, morreu aquando de uma viagem que fez.

Concluídos os três anos do curso, tínhamos de ir fazer um estágio numa casa da especialidade e conceituada, para, no ano seguinte, fazermos o exame de Aptidão Profissional e, terminado, teríamos o diploma de curso, ou seja, o nosso “canudo”. Enquanto fiz o estágio, ainda frequentei a Secção Preparatória aos Institutos, de noite.

Mas voltando ao estágio: depois de muito procurar, o meu pai arranjou-me trabalho no sector eléctrico dos Serviços Municipalizados de Coimbra e, com alguma sorte pelo meio, “safei-me” das redes eléctricas; aí sim, é que seria preciso subir aos postes! Colocaram-me na secção de ramais e baixadas, mas, na secção de fiscalização a instalações eléctricas. Independentemente de ser um trabalho limpo, como se dizia, era um trabalho com uma variedade técnica tão grande que me possibilitou fazer, com alguma facilidade, o relatório que também era obrigado a apresentar no tal exame de Aptidão Profissional. Relatório e exame correram tão bem que me deu para subir a nota final do curso, fugindo, assim, do “dezito”.
Dizia-se nos Serviços Municipalizados que quem bebesse água da torneira ficava por lá eternamente. E foi o que me aconteceu: ganhando pessimamente e sem grandes horizontes para a época, por lá fui ficando até me dar a “pancada” de me alistar como voluntário na Força Aérea Portuguesa. Tinha, então, 17 anos!

Por lá andei seis anos e alguns meses. Após a recruta, tirada na Ota, em pleno Inverno, durante três meses, fui para a Escola Militar de Electromecânica em Paço de Arcos tirar o curso de rádio de aviões. Era uma escola de referência no campo militar, com elevado grau de exigência e de ensino só comparável à nossa Escola Avelar Brotero. A avaliação era contínua e posta à prova semanalmente; quem não tivesse aproveitamento, ia para a rua e o seu destino era o “arre macho”, designação que dávamos ao exército. Enfim, tínhamos de estudar muito durante um ano, tempo que durava a especialidade e a subespecialidade. Terminado esse tempo e com um exame final a pôr-nos à prova, éramos distribuídos pelas bases aéreas existentes no Continente e, – num futuro próximo como foi o meu caso –, éramos distribuídos por bases militares nas províncias ultramarinas. Cá o Carlitos, inicialmente colocado na Base Aérea número 3, em Tancos, foi, passados seis meses, – tinha então 19 anos – fazer a guerra para Angola, por onde andou 52 meses, tendo regressado em Março de 1974.
Da guerra não vou falar. Não é que não tenha ricas e abundantes histórias para contar. Mas seria certamente fastidioso e fugiria ao principal objectivo deste depoimento que é – e com muito gosto – falar da nossa escola Brotero.
Depois de gozar um mês de férias, e tendo sido apanhado pela revolução dos cravos, quando me julgava capaz de exercer outra profissão que não aquela que deixei nos Serviços Municipalizados, –- a de fiscal de instalações eléctricas – , eis que vou a correr apanhar o lugar pois, naquela situação, “mais valia ter um pássaro na mão do que dois a voar”.
Passados quase sete anos, – voltam a ter razão aqueles que sempre foram dizendo que quem bebesse água da torneira andasse por onde andasse –, lá cairia. A máxima não falhou. As transformações verificadas com o 25 de Abril trouxeram coisas boas e más. Com a entrada do sector eléctrico dos Serviços Municipalizados na EDP, as condições de vida e de trabalho  dos seus funcionários melhoraram substancialmente, e, no meu caso, depois de ter trabalhado quarenta anos, estou na pré-reforma há 4 anos e apenas faço 60 anos em Maio deste ano de 2010.
Volto à tropa para uma nota final de vivência política que fui tendo. Na tropa encontrávamos de tudo e também pessoas que, não estando satisfeitas com a política de então, davam azo aos seus conhecimentos, tentando esclarecer os outros: às vezes bem sucedidos, outras não, alguns conheceram dissabores e pagaram cara esta ousadia. Conheci alguns e foi com eles que aprendi uma forma diferente de ver o mundo, pelo que não me foi difícil fazer a minha opção política após o 25 de Abril. Nesse campo, tenho tido várias actividades cívicas e, neste momento, estou no terceiro e último mandato da presidência da junta de freguesia de Castelo Viegas, Concelho de Coimbra. Exerço com toda a dedicação e disponibilidade este cargo. Falo disto para dizer quanto sou feliz por, há cerca de dois anos, ser parte activa numa parceria de Novas Oportunidades com a Escola Secundária de Avelar Brotero a funcionar nas instalações da Junta de Freguesia. Para além de muito importante para as pessoas que a frequentam, esta acção foi para mim extremamente gratificante por me ter permitido, ultrapassando as meras funções de Presidente de Junta, mostrar à Escola de Avelar Brotero quanto lhe estou grato pelo que fez por mim. O meu muito obrigado.

Carlos Alberto de Sousa Ferreira, finalista do Curso Industrial Montador Electricista nos anos 1965/1966.

Recolha da responsabilidade das professoras Graça Alves (actual professora da escola) e Celeste Raimundo (professora aposentada).

Depoimentos de ex-alunos

Fiz, na “nossa” Brotero, o Curso de Aperfeiçoamento Comercial, entre os anos de 1959/60 e 1964/65. Curso nocturno, de 6 anos, sempre a dar no duro e sem “chumbos”. Foi um tempo em que me privei de muitas das coisas próprias da idade, mas o trabalho e o estudo estavam primeiro, pois ambicionei sempre uma vida melhor do que aquela que então levava.

Quando frequentava a Escola Primária da Rua dos Combatentes em meados dos anos 50, vi o actual edifício nascer de um laranjal raquítico que ali existia ao lado de um caminho vicinal para o Cidral. E, na minha traquinice de criança, aproveitei as barreiras das terraplanagens para nelas escorregar e rebolar, o que me valeu umas boas tareias dos meus pais, pois chegava a casa todo sujo e, até mesmo, com a roupa rasgada.

Feitos estes preliminares, vamos a uma das muitas histórias que haveria para contar: passou-se logo no meu 1º. ano. Era professor de Matemática o Dr. Nelson que, a dada altura do ano lectivo, foi nomeado para a Direcção da Escola, vindo a ser substituído pelo professor Velez, que assim iniciava as suas funções docentes. Fui sempre um bom aluno nesta disciplina o que me valeu as notas de 17 nesse ano, 15 na Secção Preparatória ao Instituto Comercial de Lourenço Marques e 17 a cálculo comercial no Curso de Contabilista do mesmo Instituto.

O professor Velez, para compensar a sua pouca experiência de docente, disponibilizou–se para nos dar aulas extra no Café Aeminium, onde íamos os mais interessados aprender mais um pouco e tirar as nossas dúvidas. Isto ajudou-nos muito, não só no aspecto de aprendizagem mas, acima de tudo, nos laços de amizade que com ele fomos criando.

Acontece que, um dia, foi marcado um ponto de avaliação. E, nesse preciso dia, por mais que me tentasse concentrar, bloqueei completamente e apenas consegui resolver um dos muitos problemas. Nestas condições, tomei a decisão, que na ocasião me pareceu acertada, de nem sequer entregar o ponto.

Passados alguns dias, o professor Velez faz a entrega dos pontos e, no final, dirige-se a mim, mais ou menos com este tipo de discurso:

- Desculpe, Diamantino, mas não consigo encontrar o seu ponto, devo tê-lo perdido…

Expliquei-lhe o sucedido e diz ele:

- Bem me podia ter avisado; nem imagina quantas voltas dei à procura dele!

Durante anos não voltei a saber nada deste professor. Mais tarde, já eu estava casado e com filhos, resolvi comprar uma caravana para as nossas férias, no sistema de compras em grupo, para o qual todos os meses se pagava uma determinada quantia e se efectuava um sorteio para atribuição de bens a dois dos participantes. Havia um seguro de vida que seria accionado no caso de falecimento de algum deles. Neste caso, o seguro pagava o resto da dívida e o falecimento da pessoa devia ser comunicado a todos os restantes participantes. Durante todo o tempo em que o grupo esteve aberto, apenas recebi uma destas comunicações e, para meu espanto, era precisamente este professor que jamais esqueci: Velez Pires Pereira Reis.

Diamantino de Almeida Santos

Recolha da responsabilidade das professoras Graça Alves (actual professora da escola) e Celeste Raimundo (professora aposentada).

Convite

Convida-se toda a Comunidade Educativa, Alunos, Pais e Encarregados de Educação, Funcionários e Professores para os seguintes eventos a realizar no próximo mês de Outubro:

Dia 5 de Outubro – 12h00 – Inauguração das instalações ampliadas e requalificadas da Escola Secundária de Avelar Brotero, enquadrada no âmbito do Programa de Comemorações do Centenário da República.

Dia 23 de Outubro – 21h00 – Sarau Cultural a realizar no Teatro Académico Gil Vicente, em parceria com a Fundação Inatel, agência de Coimbra, com a colaboração da Jazz Band “Dixie Gringos” e Tuna Académica da Universidade de Coimbra.

Pedaços da sua história (12)

A Brotero não será apenas  uma  fortaleza  de  sólidas  muralhas  ou um  repositório  de  programas, normas, cursos  e  leis. Tal como os  castelos  de  outrora, é  também  o  baluarte  da força anímica dum povo, eivado  de  projectos, de  sonhos, da  força  de  viver (e  conviver), do   sentido  do bem  e  da beleza, do  espírito  de aventura, da ânsia de buscar,  da  dureza  das  pedras, do  perfume  das  rosas…

Ora, a circunstância de a Escola ser durante largos anos frequentada por jovens cuja formação predominantemente tecnicizante deixava na base sérias lacunas  culturais  levou  a  que  a  Brotero, desde  muito  cedo, se  preocupasse  com  a  dinamização  de  actividades  de  complemento  curricular. Assim, muitas iniciativas foram tomadas  (quer  por  professores,  quer  por alunos,  quer pelos  órgãos  de gestão), iniciativas  que  posteriormente  continuaram, agora  já  também  por  razões  diferentes  -  preenchimento  saudável  de  tempos  livres, prevenção  de vícios sociais, descoberta  e  desenvolvimento  de  competências, recreio  e diversão, conquista  de bem-estar …

Foi  a criação  de  CLUBES  (prática  corrente) : de  TEATRO, a actuar  dentro  e  fora  da  Escola ; RÁDIO – aqui  nasceu  o pivô  da RTP  João  Fernando  Ramos; MÚSICA, que  chegou  a  atravessar  fronteiras;  FOLCLORE; CIÊNCIA ; FILATELIA  (com  parcerias interessantes); FOTOGRAFIA; ARTES  PLÁSTICAS; NUMISMÁTICA; INFORMÁTICA (alargada  aos utentes da Escola);  MONTANHISMO; CLUBE  EUROPEU;  ROBÓTICA, que recentemente  conseguiu  o  3º  lugar  num  festival  nacional  em Castelo Branco; o CLUBE  DO  MAR, ligado  à Expo’98; e  muitos, muitos  outros.   Só o célebre  CDAI  (Círculo  de  Desporto, Artes  e  Ideias), verdadeiro  fenómeno  de  impacto, nascido  em  1987  graças  ao  empenho  do  professor  Fernando  Castro, chegou  a  ter  em  funcionamento  simultâneo  e  de forma  excepcionalmente  dinâmica  trinta  e  cinco  Clubes  (chegando  ao  conhecimento  dos  Ministros  da  Juventude  da  CEE  em  1990).

Foram as famosas MAJORINHAS que, acompanhadas da igualmente  famosa  FANFARRA,  se  abriram  à  cidade  (e  ao  país) no início   dos  anos  setenta, pela  mão  do  professor  Joaquim  Teixeira  Santos.

São  as  FEIRAS  DO  LIVRO; os  JOGOS  FLORAIS; as  COMEMORAÇÕES  oficiais  (IV  Centenário  da  publicação  d’ OS  LUSÍADAS, IV Centenário  da morte  de Camões,…); as  FESTAS e CAMPANHAS de  NATAL; os ARRAIAIS POPULARES  no  final  do  ano  lectivo; os  DESFILES  DE  MODA;  a  montagem de  uma  SALA  DE  JOGOS; as  CAMPANHAS  HUMANITÁRIAS,  incluindo  as promovidas  pelo  Núcleo  de Projectos  Solidários; os  JORNAIS  ( que se  escrevem  ou  lêem ). São  as  COMPETIÇÕES  DESPORTIVAS; os  DIAS  TEMÁTICOS  ( Dia  Mundial  da  Criança, Dia  Internacional  para  a Não-Violência,.. ); as JORNADAS     (de  Secretariado,…), com  a  colaboração  de  pessoas  extra-escola  e  empresas; a  participação   em  CONCURSOS  (Olimpíadas  de  Matemática, Olimpíadas  do  Ambiente,…)  e  PROJECTOS  NACIONAIS  (Escola – Electrão, Educação  para  o  Empreendedorismo,… ); a  programação  de  sessões  e   PALESTRAS ( Energias  Alternativas, Família,…), dinamizadas  por  figuras  de  prestígio  da  cidade; as  SEMANAS  CULTURAIS; os programas  de  ESCOLA  ABERTA   em   tempo  de  férias; as  variadíssimas  EXPOSIÇÕES  (em  co-   memoração  do  Dia  Mundial  da  Saúde, do Dia  Mundial  dos  Direitos  Hu-  manos,…)  que  se  promovem   ou  se  visitam; o  aproveitamento  da  BIBLIOTECA/MEDIATECA;  as  VISITAS  DE  ESTUDO;  as  iniciativas  do  actual   GABINETE  DO  ALUNO (exposições  seguidas  de debate, projecção  de filmes-vídeo ,…); a  assistência  a espectáculos  de teatro; etc., etc…

Enfim,  uma  rota  de viagem  sem  termo…

Maria de Lourdes Figueira

Pedaços da sua história (11)

Até aos anos setenta, quando a Escola apresentava em força o seu cariz tecnicizante, abrindo de imediato as portas à vida activa, a Brotero recebia alunos oriundos das classes mais desfavorecidas da população, tanto da cidade como dos subúrbios como ainda das zonas mais distantes (que longas e sonolentas e cansativas aquelas madrugadoras viagens de comboio ou de camioneta!…). Os jovens de outros estratos sociais, por tradição ou por preconceitos, preteriam a Escola Brotero em favor dos liceus.

Com a implementação do Ensino Unificado, alterar-se-ia, ainda que não a curto prazo, esse estado de coisas. De facto, gradualmente, com o passar do tempo, foi-se operando a mudança. A verdade é que a antiga diferenciação social entre a população discente das outras escolas secundárias da cidade e a desta deixou de existir. Por paradoxo, a Brotero (cuja procura passou a exceder em muito a oferta), chegou mesmo, no dizer de alguns, a tornar-se a escola dos meninos-bem de Coimbra.

É justo reconhecer-se que tal mudança não assentou apenas na inovação do sistema. Na sua génese esteve, na realidade, como factor de peso o prestigiado carácter, a diversos níveis, da Escola Brotero.

Curiosamente, nos anos seguintes aos da fusão, o chamado fenómeno Brotero, com todo o seu antigo e característico espírito fraterno de união, força, cumplicidade, de saudável ambição, manteve-se entre os alunos. Continuava, de facto, a sentir-se, gerando uma coesão quiçá ainda mais notória. Os alunos desta Escola outrora singular eram ainda também diferentes (não o nível de configuração social, mas de postura e anseios).

Depois, esse espírito de coesão intrínseca pareceu diluir-se, dando lugar a uma desagregação egoísta, demolidora do espírito de classe, de escola. Impelida dos ventos do exterior, a grande massa de alunos, buscando uma boa escola-tranpolim para o ensino superior, terá encontrado na norma dos muitos outros a povoar o país. Tentando um diploma, lutando por uma nota, para prosseguir. Alunos iguais aos outros alunos.

No período nocturno, o antigo clima, esse, ia-se respirando ainda. Os alunos da noite tinham sido quem, na verdade, nos seus primórdios, dera corpo à velha Escola. Foi a Brotero a escola de Coimbra que primeiro os recebeu. E também a única durante largos anos.

Mais recentemente, porém, verifica-se que os jovens da Brotero estão querendo fazer retroceder a roda da História. Muitos (mesmo muitos… – quase tantos como os das outras escolas de Coimbra no seu todo) há já que tentam conquistar rapidamente (ou apenas conquistar…) um lugar no mundo do trabalho, frequentando na Brotero, em jeito de quase invasão, os muitos e variados e modernos cursos profissionais que esta lhes oferece.

Olhando bem, sabe-se, sente-se que a alma desta escola, embora vagueie, perdida na busca plena de si própria, afinal não morreu. Como não morreram os nomes de Daniel Rodrigues, Lourenço Chaves de Almeida, Pompeu Aroso, Egas Moniz (o nosso Nobel), Bissaia Barreto, Amílcar Duarte Matias, Jaime Cortesão, e tantos, tantos outros, que nos seus bancos se sentaram. Um sabor gostoso vai pairando novamente no ar e a pouco e pouco todos se apercebem disso.

Maria de Lourdes Figueira

Depoimentos de ex-alunos

Uma Passagem pela Brotero

É verdade, como o tempo passa! Já lá vão 48 anos que eu entrei na Brotero. Recordo com saudade alguns momentos ali vividos como se fossem hoje!

A minha Escola Brotero, como sempre disse, digo e sempre direi.

Escola de virtudes, que com os seus defeitos e qualidades lançou para o mundo do trabalho, público, privado e empresarial, grandes homens e mulheres deste país.

É frequente encontrarmos nos mais diversos campos e ramos profissionais, e ao longo de todo o país, aqueles que foram alunos da Brotero. Até mesmo em cargos de Estado.

Eu sempre disse, com muito orgulho, que foi muito bom ter passado pela Escola Brotero. Não só pelos tempos passados por lá, como depois mais tarde, na minha continuação de estudos, e depois até mesmo na minha vida profissional.

Foi possível comprovar, e com toda a propriedade posso dizer, que em estudos seguintes, tinham melhor aptidão e destreza, aqueles que vinham de escolas técnicas, do que aqueles que iam dos ensinos liceais, muito teóricos, mas pouco práticos.

Eram os “estudos” daquele tempo, mas que produziam muita gente técnica, que agora, pelas alterações introduzidas não temos, mas necessitamos. A existirem esses técnicos, muitos são autodidactas e sem preparação suficiente para se empenharem e cumprirem com o trabalho que estão a produzir.

Bem, mas decorria o ano de 1962 e em Outubro lá fui para a Brotero. Foi o meu 1º ano. Nesses anos era necessário fazer exame de admissão e ter nota positiva para entrar.

Na época, era uma escola novinha com dois ou três anos, edificada como hoje a conhecemos nas actuais instalações, pois, devido ao excesso de população escolar, a Brotero teve de abandonar as anteriores instalações no centro da cidade.

Verificamos que no momento está a sofrer grandes obras de beneficiação e melhoria com algumas alterações ao projecto inicial.

Verificamos também que as árvores que circundavam o edifício, recentemente decepadas com as obras de beneficiação, eram árvores já de algum porte, enquanto naquela data eram árvores pequenas com pouco mais de metro e meio de altura!

Também podemos dizer que a escola, inicialmente, foi projectada para cerca de 1600 alunos, e rapidamente este número foi ultrapassado, chegando a ter, no meu tempo, anos 64, 65 e 66 um número superior aos 4000 alunos, sendo necessário instalar alguns pavilhões pré-fabricados com salas de aula.

Essa expansão ficou a dever-se ao facto de a escola ser procurada pelo brilho do seu bom nome, facto esse também acompanhado pela melhoria de vida das populações.

Naquele tempo, ao contrário do que observamos agora, tudo à sua volta era campo de silveiras, terra e ervas, com mais ou menos peladas, onde os seus alunos faziam as suas brincadeiras.

Era frequente as crianças aproveitarem os intervalos, os “feriados” e a hora de almoço e serem vistas a fazer os mais diversos jogos: o futebol, a cabra-cega, a estaca, o prego… Bem, as meninas por vezes também jogavam ao “mata”.

Não podemos esquecer que naquele tempo, na escola, havia separação entre meninos e meninas. E corredores onde tivessem que se cruzar, lá estava o olhar atento do Sr. Contínuo, figura a quem todos tinham muito respeito!

Só para alunos dos últimos anos e principalmente no curso do “Comércio” é que havia as turmas mistas. Nos intervalos, de novo, separavam-se os meninos e as meninas para recreios diferentes.

Não quer dizer que já lá não surgissem uns ”namoricos”, mas para rapazes e raparigas se encontrarem ou estarem próximo, só fora das instalações da Escola.

Eram normais e frequentes os chamados ”inquéritos”. No fundo, eram um simples cadernos de folhas A5, elaborados na maioria das vezes por meninas, que com uma dúzia ou pouco mais de perguntas, tinham por intenção saber “quem gostava ou simpatizava com quem”.

Foi assim que nasceram alguns lindos casamentos!

Bem, chegado à Escola Brotero, foi como em qualquer parte, os momentos de adaptação. Encontrei um ou outro amigo e vizinho, mas a grande maioria era gente nova, que não sendo só residentes da cidade, também chegavam dos arredores e das localidades à volta. Nesse tempo chegavam à Brotero alunos de Penacova, Poiares, Lousã, Miranda e Serpins, de S. Martinho, Ameal, Pereira, Santo Varão e Formoselha, de Montemor, Adémia, Souselas, Pampilhosa e Mealhada.

A integração era feita, sem serem precisos os papás e dia após dia ali eram feitos conhecimentos e grandes amizades. Os novos companheiros, em alguns casos, acompanhavam-nos até finalizar o curso.

Poderei dizer que nunca fui um aluno brilhante, de notas excepcionais, mas com o conhecimento e o saber suficiente para ir passando todos os anos.

Cumpria a exigência da época, esforçando-me mais aqui ou ali para ter sempre notas para passar.

As notas 10, 11 ou 12 eram notas boas para quem passava todos os anos. Quem é que se aventurava a ter 13, 14 ou 15 para prejudicar outras notas? A nota 15 era muito rara, e era de imediato distinguido quem a conseguisse.

Era a época que tínhamos, nada como agora. De certeza que os alunos de então seriam excelentes nos tempos actuais, dado os inflacionados valores que agora são atribuídos.

Fui Finalista no ano lectivo de 66/67 do curso de Formação de Montador Electricista, em que frequentei nos dois primeiros anos 62/63 e 63/64 o chamado Ciclo Preparatório, e nos três anos seguintes o curso de Electricista.

Com todo o mérito, podemos dizer: Sim, Ciclo Preparatório para a Vida, pois que esta etapa dava para seguir qualquer curso, no tempo era o aprofundar, o solidificar e aumentar de conhecimentos já antes obtidos na escola primária. Era dado a conhecer, e sem grandes dificuldades, um conhecimento geral que preparava bem os alunos.

Continuei depois por três anos na escola da electricidade (assim se chamava), onde adquiri conhecimentos da especialidade.

Será importante referir que dada a sua qualidade, os conhecimentos adquiridos na Brotero eram muito reconhecidos pelos diferentes locais por onde passávamos.

Era normal uma vasta quantidade de ex-alunos ingressarem rapidamente nas diferentes boas ”casas” desta cidade.

Em Julho de 1968 conclui o meu curso. Fazia parte do currículo, após o ultimo ano, efectuar um estágio no mínimo de seis meses, numa empresa da especialidade, elaborar um relatório sobre o trabalho desenvolvido na empresa, e finalizar com um exame de aptidão profissional, normalmente com a duração de quatro dias. Posso dizer que tinha terminado ali e com êxito a minha formação e estava preparado para o mercado de trabalho que consegui na época sem dificuldades.

Posso ainda mencionar que fiz parte da primeira onda de finalistas mais novinhos da Brotero, pois que até aquela data era normal os alunos finalistas terem mais idade, 18, 19 e 20 anos, enquanto que eu e outros companheiros chegámos “lá” com 15 aninhos – nesse tempo não era considerado trabalho infantil.

De certeza que todos os da minha geração têm belas histórias para contar, tantas quantos os dias que por lá passámos. Não que a Escola Brotero fosse uma escola de ficção teatral, mas sim pelo empenhamento, vivência e alegria que dávamos aos nossos dias.

Entre muitas e muitas histórias que poderia contar, vou aqui deixar duas passagens que recordo ainda com saudade, vaidade e felicidade.

Naquele tempo, no meu 3º ano, em 64/65, existia um Professor, do qual não vou dizer o nome, com a alcunha de “o papa cigarros”, devido ao enorme número de cigarros que consumia. Era um professor que, por ter avançada idade, já via e ouvia muito mal.

Bem, mas o bom do professor, apesar de ser assim, pela sua insistência e teimosia, levava a que quem quisesse aprender, ficasse mesmo a saber.

Era aquele professor que dizia sempre: “olha, meu filho, a força é má”.

Às vezes também comentava que tinha tido um professor de Física que, no seu compêndio, na parte do Calor tinha indicado “O Movimento produz calor” com a anotação manuscrita “excepto no caldo das nabicinhas”.

Então, certo dia, o bom do professor, ao iniciar a aula, de porta fechada, começou a escrever o sumário, no livro do ponto. Com os olhos bem próximos do livro, ouviu que alguém fez barulho e perguntou: – “Quem fez barulho”?

Silêncio sacramental.

- “Bem, ninguém se acusa, a fila da parede toda para a rua”. – Disse o professor.

Nessa fila estava eu incluído. Mais ou menos apressados, os meus colegas foram saindo, ficando eu, propositadamente, para último.

E quando ia para sair disse: – “Stôr” não há direito! Os outros é que fazem barulho, e eu é que vou pagar.

O bom do professor olhou-me e disse: – “Anda cá, meu filho, não fizeste barulho, então vai para o teu lugar e deixa ir os teus colegas”.

Espertinho eu, não?!

Bem, e assim fiquei na aula que, por sinal, era de revisão da matéria e preparação para um exercício (antigo nome para teste).

Será ainda bom salientar que naquele tempo quem queria estudar evitava as faltas, uma ida para a rua era uma falta, e que se “chumbava” por faltas.

Tenho ainda para contar outro episódio, já no meu 5ºano, o ano de finalista, em 66/67, quando eu tinha 15 aninhos.

Era normal nas aulas de oficinas, que eram de quatro horas, haver intervalo à segunda hora, e então os alunos vinham para o recreio vestidos com o fato de trabalho, o “fato-macaco”.

Havia também por costume, de longe em longe, os alunos assim vestidos irem ao “pau da bandeira”.

Ora, um belo dia, como tantos outros, viemos para o recreio.

Entenderam os meus colegas “os mais velhos” que tinha chegado a minha vez e, sem mas, nem meio mas, também acabei pendurado pelo fato-macaco no ferro que segura os fios do pau da bandeira, aquele que estava ao lado dos ginásios, voltado para o recreio grande. Voltado para o grande espectáculo! E assim pendurado, por muito que me movimentasse, não conseguia libertar-me, até que, depois de muito “espernear”, o fato-macaco cedeu, rasgou-se e eu bati com o corpo no chão, servindo de enorme risada para os assistentes.

Assim pude retirar-me da posição incómoda em que me encontrava. Fiquei aborrecido e “chateado”, mas no outro dia já não era nada e estava de novo a viver outras tantas brincadeiras que no tempo tanto amávamos.

Considero muito proveitosa a minha passagem pela escola Brotero.

Mesmo de tenra idade, tínhamos plena consciência de que tínhamos adquirido conhecimentos, maturidade e responsabilidade que mais tarde eram reconhecidos em bons locais de trabalho.

A. Flórido

Recolha da responsabilidade das professoras Graça Alves (actual professora da escola) e Celeste Raimundo (professora aposentada).

Depoimentos de ex-alunos

Ano lectivo 1979-1980

O Conselho Pedagógico decidiu fechar aos alunos a passagem principal da Escola, com excepções da primeira entrada e da última saída de manhã e de tarde.

A população discente não entendeu correcto e justo, tendo o aluno João Alfredo Ferreira Santos, do 9º ano 2ª turma de desporto, praticamente sozinho, decidido realizar um acto de protesto que consistiu no fecho coercivo do referido portão, impedindo quaisquer professores ou outros Agentes escolares de entrar por aquela via para desempenhar o seu trabalho.

Este protesto durou das 8.15 até às 4.00 da tarde, contando com o apoio maciço dos restantes alunos da escola, somente a partir das 10.00 da manhã, depois de vencidos os medos e as inibições.

Moral da história:

Estes factos sendo absolutamente verídicos, atestam a democraticidade e a qualidade pedagógica da Instituição já que, passados três dias, em Sede de Conselho Pedagógico Extraordinário, foi revogada a decisão inicial, sem qualquer decreto de punição individual ou colectiva.

Hoje sendo professor, o aluno em causa, sente-se orgulhoso por ter frequentado a Escola Secundária Avelar Brotero e envia saudosos cumprimentos a toda a Instituição.

Nota de Contraponto:

(A contígua Escola Secundária Infanta D. Maria, que definiu a mesma estratégia em igual data, e apesar de ter tido rigorosamente semelhante qualidade de manifestação – embora no ano seguinte e por acção do primeiro protagonista), puniu os seus responsáveis e manteve por longos anos o impedimento da passagem.)

João Santos

Recolha da responsabilidade das professoras Graça Alves (actual professora da escola) e Celeste Raimundo (professora aposentada).

Novo logótipo

APTIPRO’10 na Brotero

A final da segunda edição do APTIPRO – Concurso de Protótipos Tecnológicos, decorreu no dia 13 de Julho na Brotero. Este evento, que serve de mostra para projectos concebidos e produzidos no âmbito das provas de aptidão
profissional  e  das  provas  de  aptidão  tecnológica,  surge como forma de divulgação da qualidade de formação adquirida pelos alunos dos cursos profissionais e dos cursos tecnológicos da área da Electrotecnia.

A reportagem anterior é um excerto do Jornal da Tarde da RTP de 19 de Julho.

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