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Entrevista ao Director

Está na direcção há quase duas décadas. Acompanhou as diversas transformações no ensino. A perda de importância dos cursos comerciais e industriais levou à perda de importância da Escola Avelar Brotero?

Não, porque as sucessivas direcções da escola aderiram sempre às várias reformas e modalidades que houve na área dos cursos técnico-profissionais, tecnológicos e profissionais. As Áreas Curriculares de Mecânica, Electrónica, Construção Civil, Cerâmica e mais recentemente a Informática tiveram sempre cursos de cariz profissionalizante e sempre com o objectivo de inserção dos alunos no mundo do trabalho. Apesar do êxito dos antigos cursos comerciais e industriais, viveiro de muitos pequenos e médios empresários da região, a escola soube sempre adaptar-se a novas realidades, dada a vasta experiência do seu corpo docente e do riquíssimo equipamento das suas oficinas.

-E continua a ser uma referência?

A escola é uma referência na região centro, dado ser a escola com maior número de turmas e cursos profissionais e 55% da nossa oferta formativa já se situa nestes cursos, além da oferta que tem no Centro Novas Oportunidades para os adultos. Nasceu em Janeiro de 1884, com o objectivo de “ministrar o ensino do Desenho exclusivamente industrial e com aplicação à indústria ou indústrias predominantes” na cidade e, ainda, não perdeu esta característica principal que foi e é o seu pendor tecnicizante, respondendo, assim, às necessidades do mercado de trabalho. A escola só tem que agradecer aos inúmeros empresários e instituições da região que enriquecem e completam o nosso trabalho com a formação que oferecem aos alunos nos estágios.

Quem é que hoje opta pela Brotero?

Hoje, como no passado, optam pela Brotero alunos do concelho de Coimbra e de todos os concelhos limítrofes, dos mais variados estratos sociais. Optam pela Brotero os alunos dos cursos Científico Humanísticos, dado ser a escola da cidade também com maior número de turmas nesta área. A escola só não oferece o curso de Humanidades. A marca Brotero vende muito bem e o melhor marketing é feito de geração em geração

Quantos alunos a frequentam actualmente?

Temos cerca de 1630 alunos e um total de 242 professores.

As obras foram muito além da pura cosmética. Justifica-se tão elevado investimento?

Justifica, dado que a escola em equipamento e condições de leccionação deu um salto para a era tecnológica, e é uma das escolas mais bem equipadas do país. Embora, no projecto de requalificação várias opções estéticas só tenham resultado em problemas de muito difícil solução e de duvidosa utilidade e necessidade.

- O que mudou?

O quadro negro, o giz e os velhos estrados das salas de aula desapareceram. Há novo equipamento tecnológico e uma excelente acústica nas salas de aula e um aspecto muito bonito, sobretudo, do edifício principal. Há uma excelente biblioteca no antigo espaço do ginásio grande, com uma mezzanine, certamente uma das melhores do país, novos laboratórios, novo bar dos alunos, novo ginásio e parque desportivo e um auditório. Mudou a entrada principal da Rua General Humberto Delgado para a Rua D. Manuel I, com um amplo e vasto espaço antes do hall de entrada.

Daí as avaliações por parte da Inspecção Geral de Educação terem sido tão positivas?

Também. Mas não só. A Inspecção Geral de Educação fez, pela primeira vez, a Avaliação Externa da Escola e foram obtidas as seguintes classificações, na escala de insuficiente a Muito Bom: nos domínios Prestação dos Serviços Educativos, Organização e Gestão Escolar e Liderança, a classificação máxima – Muito Bom; nos domínios Resultados e Capacidade de Auto-regulação e Melhoria da Escola – Bom. Estes resultados foram possíveis graças ao contributo das lideranças intermédias e ao empenho dos professores, alunos, funcionários e encarregados de educação. Aliás, numa escola com esta dimensão, durante este 2º período de aulas não se verificou nenhum processo disciplinar. Surgem pequenos conflitos e actos de indisciplina que são imediatamente resolvidos. A requalificação da escola e o novo Estatuto do Aluno contribuíram também para estes resultados.

- Porque é que os antigos alunos voltam sempre e em número sempre tão significativo?

Só eles poderão responder. Creio que são os afectos que os prendem ao espaço, mas sobretudo aos colegas de curso e às boas vivências que experienciaram nesta escola que os ajudou a crescer e lhes forneceu uma ferramenta para toda a vida. Esta escola foi o trampolim para o sucesso de inúmeros alunos com grandes responsabilidades no país e no estrangeiro. Este regresso deve-se também, certamente, ao bom ambiente que esta escola sempre lhes proporcionou e se diferenciou pelos aspectos positivos, sobretudo, para os alunos mais desfavorecidos. Muitos voltam para rever os seus trabalhos e as obras de arte que enriqueceram o nosso património artístico e que fazem desta casa uma Escola-Museu. É uma escola onde sempre se vivenciou um ambiente aberto e democrático, onde os alunos, professores e funcionários se sentem bem e existe em cada um o sentimento de pertença a uma grande família, que é a Brotero.

O Director

José Armando Saraiva

(Eduarda Macário, Diário as Beiras – 16/04/2011 )

Jornal da Brotero – 5

Jornal da Brotero – 4

Pedaços da sua história (14)

Foram 125 anos. Demos flores a Brotero, que nos emprestou o nome.Trouxemos à liça pedaços da nossa história, mais distante, mais recente. Perpetuámos a efeméride, com textos, com imagens. Gritámos o nosso amor à Escola, que não soltou amarras. Atámos mais forte os laços que uniam as mãos dos que nela cresceram ou fizeram crescer. Com a arte como força, com a esperança do rever. Vamos dizer adeus ao sonho de saborear a saudade do que se foi… mas ficou. É a hora de pisar novos trilhos, de dar mais um, mil passos em frente. Sem afrouxar. Sem recuos. Com aquela alma de sempre…

Foi uma festa de anos, que soou, que interpelou. Os arrimados ao passado? Ou os caminhantes do futuro? Um passado que não mergulhou nas águas escuras do Lete mas que, num incessante torvelinho de formas, cor e som, desliza no aqui e agora, rumo ao tempo e ao modo que a expectação dos nossos jovens pretende vislumbrar. Um futuro feito dos quereres de hoje.

Perpassa na linha da memória corrida o remoinhar do desejo e da acção, da luta e da conquista, do ousado, do sofrido, do que virou luz… ou sombra.

Olham-se figuras – é nítido de ver! – como António Augusto Gonçalves, que construiu alicerces, Sidónio Pais, em cuja mente rivalizavam a Política e a sua Escola, Egas Moniz e Bissaya Barreto, que na Escola buscaram saberes, Battistini, areia brilhante de uma praia global, o nosso Paulo Ramos, que já não foi ao sarau … , e tantas outras que o botão do tempo faz correr.

Olham-se gerações de mestres e discípulos que ofereceram à cidade, ao país, ao mundo, técnicos e artistas de prestígio ímpar. Quão infindo é o rol das grandes figuras que a Brotero produziu para os bancos da Arte, da Ciência, da Técnica! No passado. Com ecos no presente. A identidade da Brotero de ontem sempre fervilhou nos bastidores, apesar das mutações sofridas… Num permanente encontro consigo própria. Com uma alma que se moldou por aí. E esses mestres e esses discípulos voltam a respirar de alívio.

Olha-se o olhar atento (muitas vezes pioneiro) que de há muito a Escola faz recair sobre quem sente difícil o acompanhar (veja-se o núcleo de alunos surdos…)

Olha-se a consciência de um encarar positivo das não facilidades, que o passar dos anos avoluma.

Olham-se as belíssimas peças do Museu em que a Brotero se tornou. De ver!

Olha-se a consciência de Escola, de uma Escola em família, que sempre tentou promover. Que todos sentiram e muitos ainda sentirão.

Olha-se a excelência, a qualidade como a mais saborosa das especiarias. Com a ajuda de quem sabe.

Olham-se os tempos vazios preenchidos, na conquista de valores culturais, morais, cívicos, de vida plena.

Olham-se os “ alunos da noite “ como ex-líbris em movimento.

Olham-se os gritinhos chilreados dos meninos de um Infantário seu, muito seu.

Olha-se a Medalha de Ouro que brilhou nos cem anos.

Olha-se a velha abertura ao mundo exterior, a sua capacidade de intervenção, no dar e receber, tirando partido. Os horizontes que há muito abriu no mapa da Europa e noutros mapas. Os muitos espaços por que passou – para não rejeitar os que vinham… As muitas iniciativas que toma (na prevenção de vícios sociais, no combate ao insucesso, na busca de bem-estar, na aproximação às famílias…). O orgulho que tem de si.

A Brotero viveu um passado, de que tira lições, vive um presente de alegria e esperança, entrando na vanguarda dos tempos. A Brotero relança-se. A Brotero, escola de todos, não quer retroceder. Quer manter a sua identidade.Com o eu de sempre, na sua forma melhor.

GRATIAS, TIBI, Brotero!

Maria de Lourdes Figueira

Pedaços da sua história (13)

Publicado no Jornal Campeão das Províncias de 21 de Outubro de 2010.

Vídeo sobre a Brotero

Este vídeo foi criado por alunos do Curso Profissional de Técnico de Multimédia para apresentação no Sarau Cultural de encerramento das Comemorações dos 125 anos.

Sarau Cultural

Inauguração: 5 de Outubro

Publicado no jornal Campeão das Províncias, 7 de Outubro de 2010.

Depoimentos de ex-alunos

“Gostei de andar na Brotero, porque lá criei laços de amizade com as pessoas que até hoje me têm acompanhado e que com certeza, me acompanharão! Jamais esquecerei.

Beijinho com saudade,

Joana Salgueiro

Recolha da responsabilidade das professoras Graça Alves (actual professora da escola) e Celeste Raimundo (professora aposentada).

Depoimentos de ex-alunos

Foi no Verão de 2005, enquanto aguardava ansiosamente pelo início das aulas (não é que tivesse pressa, mas ia ser uma mudança: “Aluna do secundário”) que recebi uma notícia… Na altura foi péssima! Hoje sei dizer: “AINDA BEM”. Não entrei na escola que tinha colocado na primeira opção. Que choque! Houve muitas lágrimas…Mas tive de aceitar o “Eu vou para a Brotero”… A primeira visita ao interior da escola não ajudou em nada a essa fase de aceitação, mas tinha de ser. E, afinal de contas, era para lá que iam alguns dos meus amigos. Não haveria de ser assim tão mau.

Os primeiros dias foram de descoberta. Colegas, professores, funcionários, os “corredores-museu”, o bar, o refeitório, campos e ginásios, o labirinto que eu, na altura, pensava que era esta escola…

Passaram-se tantas horas, dias, semanas, meses… E ao fim dos três anos eu dizia que haviam sido os melhores anos da minha vida. Cresci tanto! Aprendi. Conheci pessoas incríveis. Umas boas, outras menos. Mas todas contribuíram para que me tornasse naquilo que sou hoje.

Dos colegas, professores e funcionários, hoje tenho amigos. Amigos que eu sei que vão ficar comigo para sempre. Os amigos da escola, da nossa escola, amigos para a vida.

A Escola Secundária Avelar Brotero afinal não era o labirinto que eu julguei ser. Era a nossa segunda casa… Tenho um orgulho imenso em pertencer à ‘Família Brotero’.

De tudo isto fica a saudade e agora, sim, posso dizer: OBRIGADA!

Rosana Garcia Santos

Recolha da responsabilidade das professoras Graça Alves (actual professora da escola) e Celeste Raimundo (professora aposentada).

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